Das descobertas das férias

A pouco mais de uma hora e meia de caminho, encontramos um dos paraísos na terra. E nisto nós, portugueses, somos uns afortunados.

Se só me fosse possível usar uma palavra para descrever a estadia no Monte da Freira, seria PERFEITO, sendo que ainda assim, me parecia tão pouco para o descrever.

Assim, e ainda com o entusiasmo de quem passou uns dias fantásticos nas melhores das companhias, a atrapalhar-me o raciocínio, vou tentar partilhar convosco esta experiência.

O mote era paz e sossego, antes de rumarmos ao Porto, e seguindo a sugestão de uns amigos, fomos conhecer o Monte da Freira, em Bencatel, a uns poucos 31km de Elvas, com Badajoz logo á vista.

 

 

E mal o carro passou os portões, fomos recebidos pela D. Isabel com um Porto delicioso que acompanhava com uns biscoitos homemade (“foram feitos por mim”disse-nos orgulhosa). Estávamos sentados há 5 minutos e éramos invadidos por uma sensação de conforto indescritível , não queria acreditar que podia sentir-me assim, tão rapidamente,  tão perto e tão longe da minha casa, num sítio que á partida não me dizia nada, não tenho qualquer ligação ao Alentejo, (ou devo dizer não tinha?)  junto de pessoas que não conhecia. Mas se há sítio onde isso é possível, é no Monte da Freira.

Conhecer o espaço e os quartos, fez-nos perceber que ali naquela casa, o amor é quem comanda. Um amor que nos aquece o coração, saindo da voz da dona, enquanto nos conta que é uma colega reformada, e quem um dia, quando se cansou, decidiu criar este espaço, porque lidar com pessoas é das melhores coisas da vida. Assim é a D. Isabel, de um carinho e dedicação impagáveis, que nos contou orgulhosa que o nosso filho tem o nome mesmo nome que o neto, que é pequenino, e que não tarda acorda da sesta ( e que delicia era o Martim, incrível o quão parecido era com o nosso Martim, ou talvez fossem os nossos olhos, completamente embevecidos por todo aquele ambiente).

Enquanto conversávamos chegou a Micas, uma labradora preta, já com alguma idade, e que, como nos contou a sua dona, faz as delícias de miúdos e graúdos (mesmo que não nos dissesse era fácil de perceber aquela doçura e encanto). Até o veterinário sente a sua falta, quando salta uma das visitas regulares que lhe faz.

A moldura ficou completa, logo que conhecemos o Sr. Adelino, e mais claro ficou ainda, que para o sucesso, seja de que natureza for, um dos grandes segredos é o querer, de corpo e alma.

Pela noite, num acontecimento inédito por ali, fomos jantar todos juntos, a um restaurante maravilhoso, e tivemos o prazer de privar não só com esta família, como com os outros hospedes, que só havíamos visto na piscina, de tarde, por uns minutos, e que curiosamente, são nossos vizinhos. Pareceu-me um jantar em família, e eu não sabia que era possível sentir-me assim com pessoas que conhecia nem há 24 horas.

Com o nascer do novo dia, nova surpresa, um pequeno almoço que nos deixou sem palavras, com produtos locais, caseiros, servido a preceito á beira da piscina, aproveitando o silêncio e a brisa matinal. E assim, tranquilos, apaixonados e super descontraídos, fomos passando os dias.

O Monte da Freira tem 4 quartos para hóspedes, cada um com uma decoração única e especial, detalhada ao pormenor, com peças de extremo bom gosto, e completamente intemporais. Existe também uma cozinha comum, equipada com micro-ondas, torradeira, máquina de café fogão, máquina de lavar loiça e frigorífico, e que também permite um convívio salutar entre hospedes, como acabamos por ficar sozinhos, acabamos por não usar. Acredito que no Inverno, com a lareira, se torne ainda mais apelativo.

No exterior, além dos recantos cujas fotos falam por si, existe ainda uma sala de jogos, onde além de jogos de tabuleiro, existe uma mesa de ping pong, e escusado será dizer que o Martim tirou livre trânsito.

 

Todos os dias conheci um canto novo, um pôr do sol de diferentes ângulos, um cheiro, uma cor… sem dúvida que merecem a pontuação de 9.6 atribuída pelos utilizadores do Booking e que orgulhosamente, a D. Isabel e o Sr. Adelino exibem na sua sala. Não me canso de dizer, que o segredo, para mim, são tão somente eles, com toda a sua gentileza, carinho e disponibilidade de corpo e alma, e que dificultaram, e muito, a nossa partida.

Partimos com a promessa que voltaríamos em Outubro, infelizmente, por motivos de saúde, não foi possível, mas as promessas são para cumprir, e não será o calendário que nos vai impedir.

Até lá, deliciem-se com as fotos, que, ainda que lindas, não fazem justiça ao espaço.

Se quiserem conhecer mais este espaço, vejam Aqui.

 

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